domingo, 24 de junho de 2012

Cerveja filosófica. O indutor do SIM, a densidade do prazer e a expressão matemática que resolve a paquera.

Quando eu e meus amigos decidimos produzir cerveja artesanal, sabíamos que uma parte dessa energia seria dedicada aos estudos das receitas, matérias prima e processos.

Agora na primeira pessoa, pedindo licença a eles, não esperava que durante minhas leituras encontrasse assuntos tão diversos e interessantes.

O lugar comum no estudo de cerveja é o lastro histórico. Não tem como falar desse assunto sem citar culturas, épocas, política e religião.

Até aqui, tudo bem, pois nos primeiros capítulos dos meus estudos já tinha percebido que estaria aprendendo muito mais do que unidade de amargor, volume alcoólico, fermentação e outros detalhes.

O que está me surpreendendo é a quantidade de literatura que envolve assuntos aparentemente estranhos à cerveja, tais como química do cérebro e filosofia.

Chega de apresentações e vamos às novidades.

Todos sabem sobre a não utilização da nossa capacidade cerebral completa. Algumas referências apontam que aproveitamos 10% de nossa arquitetura neural.

Acredita-se que existe um motivo para isso, ou seja, a função do sistema nervoso central seria justamente nos proteger de sermos esmagados e confundidos com essa massa de conhecimento e a maioria inúteis e sem importância. 

Por isso para tornar possível a sobrevivência biológica esta torrente de informações processadas devem passar pelo estrangulamento de uma válvula redutora, o sistema nervoso central. O que passar por esse crivo é um fio de conhecimento que nos auxilia a conservar a vida.

Ok, mais qual relação essa informação tem com cerveja.

Existe quem acredite que a bebida pode, através da alteração do nível de consciência, acessar portas cerebrais normalmente bloqueadas no estado normal.

Logo, através deste estado, seria possível experimentar sensações que antigamente eram atribuídas a qualidades divinas e por sua vez pavimentava o caminho com os deuses.

O filosofo Aldous Huxley, decidiu fazer um experimento num ambiente controlado em companhia de um psicólogo, no qual após se submeter à mescalina (não cerveja) relatava seus pensamentos, os quais julgava não conseguir acessar no estado normal de consciência.

Deste experimento, nasceu o livro “As portas da percepção” de 1954. Acredita-se que a banda The Doors obteve inspiração de seu nome baseado neste livro.

Ora, se a cerveja é também conhecida como “O indutor do SIM”, pode-se relacionar a experiência de Huxley, com nossas conhecidas conversas com amigos, ais quais se tornam fluentes quando se tem a lubrificação do suor do cereal fermentado.

Além de “induzir o SIM” creio que a bebida é também um facilitador da comunicação e da amizade.

Alias pensando sobre a amizade, também penso na qualidade que uma amizade pode ter. 

Certa vez li “Qualidade é a densidade do prazer”.  Quer um exemplo ?

Você passa um dia pescando, e pega vários peixes ao longo do dia. Digamos que um pequeno peixe a cada 20 minutos. 

Num outro dia, você consegue arrebatar um único peixe, porém este tem a sua altura e você precisa buscar todas as suas forças para retira-lo da água.

Certamente os dois dias foram prazerosos, porém se você pudesse qual experiência de pesca você escolheria ? 

Essa decisão é individual e essa história serve apenas para ilustrar que a qualidade é a “densidade do prazer”.

Agora voltando à cerveja. Imagine que uma boa conversa com um amigo pudesse ser quantificada em quinze unidades de prazer e beber uma ótima cerveja resultasse em cinco unidades de prazer.

Caso essas experiências fossem somadas, você teria muito mais do que simplesmente vinte unidade de prazer. Certamente teria uma lembrança por muito tempo a qual poderia reviver mentalmente por muito tempo.

Mas se além de tudo isso, alguém lhe apresentasse garantia sobre uma fórmula de atração do sexo oposto ? E que isso poderia ser expressado através de uma equação matemática ?

Antes de me chamar de maluco, devo lembrar que esse estudo foi feito pela Universidade de Glasgow e foi denominada “Pelas lentes obscuras da cerveja”.

Neste estudo 120 fotos de homens e mulheres foram apresentadas a 80 estudantes e lhes foi pedido para avaliar o poder de atração dessas pessoas numa escala de 1 a 7.

Metade dos avaliadores recebeu dois copos de cerveja e outra metade recebeu a mesma quantidade, porém sem álcool.

A resposta foi o esperado. Os avaliadores que experimentaram a cerveja com álcool julgaram as fotos 25% mais atraentes do que o grupo de controle, que tomaram cerveja sem álcool.

Com base nessa pesquisa, juntamente com outras variáveis a Universidade de Manchester criou uma equação que poderia ajudar na paquera. Vamos às variáveis:

X – Efeito das lentas da cerveja
NA – Quantidade de álcool consumida
L – Luminosidade na pessoa de interesse
V – Capacidade visual
F – Quantidade de fumaça no ambiente
G – Distancia da pessoa de interesse
Traduzindo então a equação:

X = [(NA) 2  * G (F+1)] /   L * (V) 2 

Essa é a formula proposta pela universidade de Manchester.

Creio que falta uma variável muito importante, que é a “Música”, porém os ingleses parecem não dar muita importância para isso.

Esse post foi somente uma brincadeira, apenas para fazer saber que existem muito mais mistérios entre um copo e outro do que nossa interminável sede.

Prost.