domingo, 24 de junho de 2012

Cerveja filosófica. O indutor do SIM, a densidade do prazer e a expressão matemática que resolve a paquera.

Quando eu e meus amigos decidimos produzir cerveja artesanal, sabíamos que uma parte dessa energia seria dedicada aos estudos das receitas, matérias prima e processos.

Agora na primeira pessoa, pedindo licença a eles, não esperava que durante minhas leituras encontrasse assuntos tão diversos e interessantes.

O lugar comum no estudo de cerveja é o lastro histórico. Não tem como falar desse assunto sem citar culturas, épocas, política e religião.

Até aqui, tudo bem, pois nos primeiros capítulos dos meus estudos já tinha percebido que estaria aprendendo muito mais do que unidade de amargor, volume alcoólico, fermentação e outros detalhes.

O que está me surpreendendo é a quantidade de literatura que envolve assuntos aparentemente estranhos à cerveja, tais como química do cérebro e filosofia.

Chega de apresentações e vamos às novidades.

Todos sabem sobre a não utilização da nossa capacidade cerebral completa. Algumas referências apontam que aproveitamos 10% de nossa arquitetura neural.

Acredita-se que existe um motivo para isso, ou seja, a função do sistema nervoso central seria justamente nos proteger de sermos esmagados e confundidos com essa massa de conhecimento e a maioria inúteis e sem importância. 

Por isso para tornar possível a sobrevivência biológica esta torrente de informações processadas devem passar pelo estrangulamento de uma válvula redutora, o sistema nervoso central. O que passar por esse crivo é um fio de conhecimento que nos auxilia a conservar a vida.

Ok, mais qual relação essa informação tem com cerveja.

Existe quem acredite que a bebida pode, através da alteração do nível de consciência, acessar portas cerebrais normalmente bloqueadas no estado normal.

Logo, através deste estado, seria possível experimentar sensações que antigamente eram atribuídas a qualidades divinas e por sua vez pavimentava o caminho com os deuses.

O filosofo Aldous Huxley, decidiu fazer um experimento num ambiente controlado em companhia de um psicólogo, no qual após se submeter à mescalina (não cerveja) relatava seus pensamentos, os quais julgava não conseguir acessar no estado normal de consciência.

Deste experimento, nasceu o livro “As portas da percepção” de 1954. Acredita-se que a banda The Doors obteve inspiração de seu nome baseado neste livro.

Ora, se a cerveja é também conhecida como “O indutor do SIM”, pode-se relacionar a experiência de Huxley, com nossas conhecidas conversas com amigos, ais quais se tornam fluentes quando se tem a lubrificação do suor do cereal fermentado.

Além de “induzir o SIM” creio que a bebida é também um facilitador da comunicação e da amizade.

Alias pensando sobre a amizade, também penso na qualidade que uma amizade pode ter. 

Certa vez li “Qualidade é a densidade do prazer”.  Quer um exemplo ?

Você passa um dia pescando, e pega vários peixes ao longo do dia. Digamos que um pequeno peixe a cada 20 minutos. 

Num outro dia, você consegue arrebatar um único peixe, porém este tem a sua altura e você precisa buscar todas as suas forças para retira-lo da água.

Certamente os dois dias foram prazerosos, porém se você pudesse qual experiência de pesca você escolheria ? 

Essa decisão é individual e essa história serve apenas para ilustrar que a qualidade é a “densidade do prazer”.

Agora voltando à cerveja. Imagine que uma boa conversa com um amigo pudesse ser quantificada em quinze unidades de prazer e beber uma ótima cerveja resultasse em cinco unidades de prazer.

Caso essas experiências fossem somadas, você teria muito mais do que simplesmente vinte unidade de prazer. Certamente teria uma lembrança por muito tempo a qual poderia reviver mentalmente por muito tempo.

Mas se além de tudo isso, alguém lhe apresentasse garantia sobre uma fórmula de atração do sexo oposto ? E que isso poderia ser expressado através de uma equação matemática ?

Antes de me chamar de maluco, devo lembrar que esse estudo foi feito pela Universidade de Glasgow e foi denominada “Pelas lentes obscuras da cerveja”.

Neste estudo 120 fotos de homens e mulheres foram apresentadas a 80 estudantes e lhes foi pedido para avaliar o poder de atração dessas pessoas numa escala de 1 a 7.

Metade dos avaliadores recebeu dois copos de cerveja e outra metade recebeu a mesma quantidade, porém sem álcool.

A resposta foi o esperado. Os avaliadores que experimentaram a cerveja com álcool julgaram as fotos 25% mais atraentes do que o grupo de controle, que tomaram cerveja sem álcool.

Com base nessa pesquisa, juntamente com outras variáveis a Universidade de Manchester criou uma equação que poderia ajudar na paquera. Vamos às variáveis:

X – Efeito das lentas da cerveja
NA – Quantidade de álcool consumida
L – Luminosidade na pessoa de interesse
V – Capacidade visual
F – Quantidade de fumaça no ambiente
G – Distancia da pessoa de interesse
Traduzindo então a equação:

X = [(NA) 2  * G (F+1)] /   L * (V) 2 

Essa é a formula proposta pela universidade de Manchester.

Creio que falta uma variável muito importante, que é a “Música”, porém os ingleses parecem não dar muita importância para isso.

Esse post foi somente uma brincadeira, apenas para fazer saber que existem muito mais mistérios entre um copo e outro do que nossa interminável sede.

Prost.

domingo, 15 de abril de 2012

Cervejando. Degusto, logo existo.

Um alemão em visita ao Brasil, vai a um bar na companhia de três amigos brasileiros.

Os brasileiros pedem uma Brahma uma Bohêmia e uma Original. O alemão assistindo a cena, pede ao garçom uma coca-cola.

Os amigos sul americamos estranham e perguntam por que ele pediu um refrigerante, e o alemão respondeu: “Ora, se vocês não vão beber cerveja, eu vou acompanha-los “.

Essa brincadeira, é para começar um assunto que pode ser extenso à medida que pensamos além dos comerciais de TVs quando o assunto é cerveja.

Mas afinal, existe uma verdade sobre a cerveja ? 

O que é mais relevante, o gosto individual ou o conhecimento técnico sobre as propriedades e os ingredientes desta bebida? 

Ou resumindo, existem respostas dogmáticas para essas perguntas?

Já que não tenho respostas absolutas, vou começar essa “brincadeira” com mais perguntas.

Se por acaso você tivesse R$ 100,00 para gastar exclusivamente com cerveja. Que caminho você escolheria?

Compraria um engradado de uma cerveja produzida em massa, arrematando algumas latinhas para fechar a conta, ou se permitiria um tempo de dedicação para escolher produtos com procedência reconhecida mundo a fora, onde a tradição dos processos produtivos e os ingredientes são celebrados a longos das gerações e dos séculos ?

Se essa pergunta fosse feita para o pensador John Stuart Mill, (século XIX) ele responderia prontamente: “A pessoa deveria levar uma vida melhor aprendendo a apreciar as qualidades mais admiráveis das coisas, em vez de acumular grandes quantidades de prazeres de baixa qualidade”.

Não tenho a pretensão de resolver os dilemas da humanidade, mais posso exercitar minha coragem para jogar minha opinião.

Uma vez eu li que a cerveja era um “Lubrificante social”, uma bela e resumida descrição da ideia que o filósofo grego Plutarco, do século I já tinha posicionado: “A finalidade da bebida é alimentar e aumentar a amizade”.

Essa ideia de finalidade da bebida, também pode ser ancorada sobre outro pensamento chamado “As lentes da cerveja”, onde é discutido que muitas pessoas, após alguns copos, percebem seus parceiros de bebida mais belos. 

Vou lembrar a opinião de um contemporâneo, o Professor Pasquale, apresentador do programa “Nossa língua portuguesa” da TV Cultura, quando perguntado por um telespectador qual forma de comunicação era mais adequada em nosso dia-a-dia. O professor respondeu sabiamente: “O estilo de comunicação da língua portuguesa pode ser comparada a uma roupa que você escolhe de acordo com o ambiente que vai frequentar”.

Acho que a uma parte da “Verdade sobre a cerveja” possa ser balizada nesse contexto. Vamos brincar com a imaginação.

Sexta feira a tarde, verão. Após uma semana torturante de extremos físicos e psicológicos. Final de mês, onde se presume pouco dinheiro no bolso. Amigos se reúnem num bar para conversar aqueles assuntos que poderem ultrapassar o dia, avançando a madrugada. 

Qual seria a cerveja indicada? Certamente uma cerveja leve, provavelmente mais barata, que possa ser apreciada sem culpa (no bolso)  entre as horas, as risadas e a amizade.

Agora, mudando o contexto. Inverno, você está com o seu par num restaurante. A comida certamente será consistente como uma massa ou carne, pouca quantidade de bebida será posta à mesa antes do prato principal. Parece fácil imaginar uma cerveja encorpada, colarinho cremoso e talvez bem lúpulada com teor alcoólico em destaque, como certas bebidas do velho mundo tem o passaporte liberado para aterrissar sem restrições e fazer companhia à refeição.

Se continuarmos por essa linha pensamento, vamos determinar que não existe uma cerveja suprema, mas sim a convidada adequada para cada evento da vida.

E se por acaso você não gostar de cerveja?  Segundo Charles Baudelaire “ Um homem que só bebe água tem um segredo a esconder de seus semelhantes”. Ainda o meu professor de Markenting Mauro Bicalho, numa conversa informal num restaurante, declarou “Eu não confio em quem não bebe”.

Então combinado, caso você aprecie cerveja, vamos considerar que não exista uma cerveja “perfeita”, vamos analisar outra questão.  Gosto se discute?

Se eu pedisse uma indicação de uma boa cerveja. Você poderia apontar uma marca baseada na preferência do seu circulo de amizades. Então isso poderia ser traduzido como “A cerveja X é boa por que as pessoas gostam dela”.

Se analisarmos o consumo em massa, investimentos em produtividade (preço) e propaganda, é legítimos concluir que uma boa cerveja seja a mais conhecida dentro de um certo padrão de preço e consumo.

Qualquer cerveja pode ser ótima, se bebermos após quarenta dias perdidos no deserto. Como sempre, vale o contexto.

Se você reportar algo parecido como “A cerveja X é ótima”. Essa declaração será semelhante a algo autobiográfico, e certamente vai revelar um prazer que obteve no momento que degustou a cerveja “X”, e isso pode ser algo muito individual.

Não é preciso fazer um curso sobre cerveja para classifica-la. Porém é bem vindo alguma experiência anterior e algum vocabulário para poder avalia-la e transmitir a experiência ao se degustar uma cerveja.

Mas calma ! Antes de me chamar de  “chato” com relação à cerveja, é inteligente lembrar que parte da beleza da cerveja é sua bagagem, carregada de dez mil anos e que muitos apreciadores do mundo já dedicaram belas palavras a essa bebida.

No blog já defini a cerveja várias vezes (sempre citando os autores), mas agora vou transcrever parte da Lei da Pureza Alemã de 1516 . Seu nome original em alemão é Reingheitsgebot.

                               “A cerveja é uma bebida feita de cevada e/ou trigo, geralmente maltada. Quando os grãos maltados são amassados com água quente formando um mingau, as enzimas naturais contidas nesses grãos quebram o amido, transformando-o em açucares. Estes são removidos dos grãos pela água, criando um líquido açucarado chamado de mosto. O mosto é fervido, geralmente com as flores da planta humulus lupulus – o lúpulo – que proporciona o amargor e o aroma, e depois resfriado. Então se introduz a levedura, que fermenta o mosto, transformando-o em cerveja. A partir deste ponto, ela é envelhecida por um período – algo entre muitos dias a um ano inteiro – então é colocada numa garrafa, lato ou barril.”

Aliás, quando conto a algum amigo que produzo cerveja artesanal, a primeira impressão que fica no ar é que sou um bebedor contumaz, mas na verdade, todo o trabalho que eu, e meu gratos amigos temos, gira em torno da experimentação, gastronomia e amizade.

As vezes conversamos horas, com uma única garrafa sobre a mesa. Produzir cerveja na verdade pouco tem relação com entornar canecos horas a fio e esta mais próximo de alcançar um tempo retroativo da história através dos alimentos.

Mas, voltando ao assunto, se imaginarmos que alguns anos após o Brasil ser “invadido” pelos portugueses, os alemães se preocupavam em definir o que era “Cerveja”. Evidentemente qualquer produtor poderia fazer algo diferente, porém no rótulo não teria a identificação de cerveja.

Aqui temos alguns exemplos da denominação de alguns produtos. Vamos então a um clássico, o “Leite de soja”.

Ora, concordem comigo, soja não dá leite. Alias, o que leva as pessoas consumirem o leite de soja (inclusive eu) é a certeza que neste produto a única substância que não existe é leite (lactose).Soja não tem teta !  

O mesmo pode ocorrer com cerveja. Muito é produzido no mercado e vendido como cerveja, porém não seguem padrões de produção, e não deveriam ser chamados como tal.

Quer outro exemplo ? Chocolate ao leite. Pela legislação  brasileira o alimento só pode ser chamado de chocolate se conter ao menos 33% de cacau, caso contrario deve ser chamado de achocolatado.

Desta forma é justo não criticar determinada bebida, pois seria o caso de não classifica-la como cerveja, talvez como bebida a base de cevada, com aditivos para aroma, sabores e cores, com conservantes químicos necessários para embalagem, distribuição em armazenagem em grande escala.

Considerando esse cenário, sofreríamos menos quando experimentarmos esse tipo de bebida.

De qualquer modo, vale o prazer em relaxar com uma cerveja, na companhia dos amigos e das pessoas que gostamos.

Prost !

domingo, 8 de abril de 2012

Cerveja filosófica. Iraque e Marco Polo.


A cerveja nada mais é do que “um purê de cevada acidentalmente fermentada”.

Assim reluziu a aura da bebida que conhecemos hoje, mas mesmo depois de séculos de experimentos e alquimias a criatividade dos mestres cervejeiros parece não ter fim.
 
Cervejas pretas e claras e todas as matizes entre elas, fortes , fracas, lupuladas ou doces.

Com todas essas propriedades, como podemos definir um estilo de cerveja? Se cada estilo pudesse carregar uma posição na tabela periódica, poderiam ser chamadas todas de cervejas naturais?

Seria possível filosofar entre um copo e outro na medida que percorremos as épocas em que foram criadas, a influencia da história e como cada matéria prima era recuperada em seu tempo e como o poder do Estado, Política e a Igreja  imprimiram um registro étnico-temporal transportando experiências às papilas gustativas através dos séculos e gerações.

Se pensarmos por esse caminho, seria a biblioteca o local de se refrescar com a cerveja ao invés do boteco?

Se você achar complicado tudo isso, vai lá um leve exemplo.

O trigo, a base da famosa Weissbier, é o grão mais cultivado do mundo, seguido pelo milho e pelo arroz respectivamente.

Os primeiros registros do cultivo do trigo apareceram no Oriente Médio na região da Síria, Jordânia, Turquia e Iraque.

O Cravo da Índia, uma especiaria utilizada na culinária tem seu local de nascimento atribuído a Indonésia.

Nos dias de hoje, temos que agradecer Marco Polo por ir buscar esse tempero e apresentar a Europa, e a partir daí se popularizar mudo a fora.

Essa história toda foi a introdução de nosso mais novo experimento a “WeizenClove”, a cerveja de trigo com aroma de Cravo.

Cerveja leve, com parentesco distante daquelas da Baviera, feita para matar a sede num dia de calor, reservando uma surpresa aromática no final, brincando com o paladar e o olfato com uma lembrança presente de cravo.

Bonita, o suor do cereal bronzeado pelo cravo, repousada no copo adequado das irmãs genuínas de trigo, mostra-se delicada ao mesmo tempo indômita querendo passear através das bolhas quase vinificadas evoluindo da base do copo até a borda onde se reúnem e formam um colarinho perfumado de boas vindas.




Família Jahuer: WiezenClove, Kolsh e WizenFranz.

Foi uma alegre surpresa desfrutar do resultado e o nascer de uma expectativa de superação.


PROST !

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Utilidade pública: Afinal, cerveja engorda ?

Peço licença aos meus amigos cervejeiros para comentar um assunto que certamente é de interesse de muitos.

A cerveja seria então a responsável pelos quilos a mais, ou é uma injusta acusação à bebida que tem sua história contada até nas paredes das pirâmides do Egito ? 


O texto a seguir é parte do livro “Larouse da Cerveja” pagina 159 do autor Ronaldo Morado.

Recomendo este livro para qualquer pessoa interessada em se aprofundar no mundo da cerveja e saber como cada estilo nasceu e é parte da cultura de seus países.

Segundo pesquisas do Scientific Institute for Pubcli Health Louis Pasteur, da Bélgica (Janssens  et al., “Obesity, body mass índex and beer consumption”), cerveja e obesidade não se relacionam.

Foram considerados, neste estudo, fatores sócio-econômicos, presença ou não de doenças crônicas, tabagismo, hábitos alimentares, atividade física, idade e acesso a assistência médica.

No grupo de pessoas analisadas durante o ano, o subgrupo dos bebedores de cerveja era menos obeso que o subgrupo dos não-bebedores de cerveja.

Depois de analisar todos os outros fatores, conclui-se que no consumo de cerveja não contribui para a obesidade.

Em outra pesquisa, liberada pelo Professor Arne Astrup da  IASO – International Association for the Study of Obesity, a síndrome metabólica é ligeiramente inferior entre os que bebem  cerveja, em comparação com os que não bebem.

O estilo de vida da pessoa tem mais influência no sobrepeso do que propriamente a ingestão da cerveja.Os vilões são na verdade, o sedentarismo e a dieta.

É preciso prestar atenção aquilo que se ingere junto com a cerveja.

Enquanto os bebedores de vinho geralmente seguem uma dieta rica em vegetais, saladas, peixes e massas em parceria com azeite, os bebedores contumazes de cerveja quase sempre ingerem acompanhamentos ricos em calorias, tira-gostos gordurosos como batatas fritas, amendoins, salsichas, torremos, churrasco (carnes gordas),etc.

No quadro a seguir, é apresentada uma comparação entre diversas bebidas e seus valores calóricos, para demonstrar o baixo peso calórico da cerveja.

Bebida                      Teor alcoólico           Calorias
                      (% álcool por volume – apv)    (100 ml)
                                                      

          
Vodca                           40-50                240

Cachaça                         35-45                230

Uísque                          40-50                240

Rum                             40-50                240

Conhaque                        40-50                240

Gim                             40-50                240

Champanhe                       11-14                 80

Vinho Tinto                     11-15                 85

Vinho Branco Seco               11-14                 65

Cervejas comuns                     5                 43

Suco de abacaxi                     0                 42
natural                                   

Refrigerantes                       0                 39
do tipo cola                              

Suco de laranja                     0                 37
natural                                   

Cervejas light                      4                 32

Guaraná                             0                 31

Cervejas de baixo
teor alcoólico                    0,3                 17



Estas informações são fundamentadas e amplamente divulgadas por organismos internacionais.

Agora cada um pode julgar a "culpa" da cerveja na sua silhueta com um pouco mais de critério.

PROST !

domingo, 8 de janeiro de 2012

KöslchBier – A cerveja com Denominação de Origem.

Kölsh é um adjetivo formado a partir no nome da cidade de Colônia na Alemanha (Köln em alemão).

A cidade de Colônia produzia pequenos lotes de cerveja em bares chamados brewpub, porém após duas guerras mundiais, especialmente a segunda, essas micro-cervejarias foram destruídas facilitando a entrada das grandes produtoras de cerveja, concorrendo fortemente com a produção local.

Para proteger o legado deste estilo de cerveja, a Associação dos Cervejeiros de Colônia, criou em 1948 a “Kölsch Konvention”, que determinava fortemente as características deste tipo específico de cerveja.

Desta forma em torno de 20 cervejarias da cidade de Colônia poderiam estampar o título Kölsh em seus rótulos.

Esse comportamento é facilmente lembrado em outros produtos, sendo chamado então de “Denominação de Origem” e é muito presente em vinhos.

Quem nunca viu uma garrafa de “Lambrusco Cella” ?

Um vinho para ser denominado “Lambrusco” deve ser feito da uva tinta cultivada na região da Emilia-Romanha na Itália. E o nome “Cella” é a marca do fabricante. Existem muitos vinhos denominados “Lambrusco”, desta forma então persiste a “Denominação de Origem”.

Então podemos dizer que a Kölshbier é uma pilsen , talvez um pouco mais suave, que carrega em seu nome propriedades além dos sabores e aromas, pois não é possível separar este estilo de cerveja sem lembrar da cidade da Colônia e sua história. 

Evidentemente, é enorme a falta de modéstia da nossa parte, tentar reproduzir esse tipo de cerveja que remonta a história de um país e de uma micro região que considera essa bebida um patrimônio cultural ultrapassando gerações.



Mas desde o início, nos apegamos a duas missões: Aprendizado e diversão.

Nossa Kölsh ficou mais pronunciada na escala de cor SRM (Standard Reference Method ) com forte identidade de aroma, sabor e amargor com a pilsen.



E a partir desta Kölsh, avançaremos por caminhos experimentais em nossa produção.

Já conhecendo os métodos de produção e as famosas “receitas de bolo”, começamos a imprimir nossa personalidade da produção, fazendo experimentos com diferentes tipos de maltes, tempos de fervura, especiarias, lúpulos e fermentos.



Definitivamente, a Internet esta sendo nossa principal fonte de dados. 

Imaginem a possibilidade de conversar e trocar receitas com pessoas do todo o mundo, amantes da cerveja artesanal.

Nosso blog por exemplo, apesar de poucos meses de vida, já recebeu visitas de internautas de vários países, como Alemanha, Rússia,  Estados Unidos. Por essa linha de pensamento concluímos o quão gratificante é este passatempo.

Após vários experimentos, aprofundamos em dois estilos específicos de cerveja: A Weissbier e a Pale Ale.

Até a próxima. PROST !

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Qual é o caminho mais curto entre a Alemanha e a Inglaterra ?

Eu recomendaria beber uma autêntica Pale Ale Londrina após ter deliciado uma legítima Weissbier de Munich.

A paixão dos ingleses por cervejas do tipo Ale é tão presente, que o nome “ALE” se tornou sinônimo de cerveja, chegando a ponto de gerar um certo desencontro se você estiver um pub inglês e simplesmente pedir “beer” para algum britânico distraído.

Esse comportamento tipicamente inglês gerou um bom resultado. Pois esse fechamento em torno da sua preferência resultou numa excelência deste tipo de cerveja, a qual é perseguido pelo Estados Unidos.

A importância da Inglaterra para o mundo cervejeiro é a manutenção das tradições nos estilos English Pale Ale, English Brow Ale, Porter, Stoudt e India Pale Ale (IPA). Esta ultima podemos experimentar na versão brasileira através da Colorado Indica de Ribeirão Preto.

Enfim, como sempre, depois de divagar pelo velho mundo vamos voltar pra Jaú.

Aproveitamos a degustação de nossa primeira Pale Ale, para inaugurar nosso nome e rotulo.



Batizamos nossa cerveja artesanal como “Jahuer” e a partir do nome elaboramos nosso primeiro rótulo.

Já que decidimos “brincar” de fazer cerveja, então vamos até o final, buscando o melhor do produto inclusive sua apresentação.

A nossa Pale Ale, ficou encorpada além do tradicional estilo inglês, o que nos obrigou a rever as etapas de produção na tentativa de aproximar a cor e corpo da bebida aos da terra da Rainha.



E então terminou 2011, com motivos para comemorar.

Além de aprender um pouco de história experimentamos boas risadas dividindo bons momentos com os amigos.

Até a próxima. PROST !



domingo, 27 de novembro de 2011

Weissbier – A versão artesanal jauense da cerveja de trigo com o DNA da Baviera.

Este que vos tecla está muito feliz hoje. Finalmente nosso primeiro lote de Cerveja de Trigo ficou pronto.

O chamado “Pão líquido integral” em função as partículas dos cereais suspensas na garrafa, é um estilo de cerveja que entrou na moda no mundo todo por ser uma bebida refrescante e bem adaptada ao clima brasileiro. Fácil de beber, sempre recebe destaque quando aterrissa à mesa, com toda sua imponência.

A Weissbier tem o copo correto para ser servido. Ele é alto, boca larga e um estreitamento em direção à base, com capacidade de 500ml.


Em nossa primeira cerveja trigo,  conseguimos reproduzir todas as características desse estilo de cerveja.

Três quilos de cevada mais dois quilos de trigo formaram a base da nossa Weissbier.

Este estilo de cerveja é especialmente aromático e produz uma espuma convincente com elegante colarinho quando é servida.

Aliás, a espuma é parte importante da cerveja, já que os aromas são “carregados” pela evaporação do gás. 

Todos os tipos de cerveja devem conter uma espuma, algumas menos outras mais. 

Hoje com nossa Weissbier, vamos celebrar a espuma, os aromas e o paladar. Enfim uma experiência para todos os sentidos.

Creio que é um bom momento para definir a cerveja de trigo. Então vamos lá:

Na Baviera existem pelo menos 600 cervejarias que produzem pelo menos um dos estilos abaixo.

Hefe Weissbier = O estilo que produzimos hoje, como normalmente as cervejas de trigo são não-filtradas, algumas cervejarias simplesmente as chamam de Weissbier, sem a palavra Hefe (levedura) no início.


Weissbier Kristalklar, Kristalweisse = Cerveja de trigo filtrada, cristalina.

Dunkel Weissbier, Dunkelweisse = Cerveja escura de trigo.

Weizenbock, Weissbock = Cerveja forte de trigo, acima de 7% vol.

Berliner Weisse = Cerveja de trigo de Berlim, maior acidez.


De volta às origens.


A Weissbier é uma especialidade da Baviera, região ao Sul da Alemanha , que é a casa da Cervejaria mais tradicional da Europa a Hofbrauhaus, uma taberna cheia de vida e em certo momento da história era uma “empresa estatal” e produzia cerveja de trigo somente para os membros da realeza alemã.

Apesar de tão tradicional, a cerveja de trigo não é servida na grande Oktoberfest de Munique, por motivos que remontam mais de 500 anos de história.

Por volta de 1500, a cerveja de trigo era tão popular na Baviera que a disputa pela matéria prima – o trigo – passou a ser muito disputada entre cervejeiros e padeiros. O qual estes últimos, os padeiros, levaram a pior a precisaram da ajuda do Estado para que seus produtos continuassem a ser distribuídos à população.

Para resolver esta questão, em 1516 o Duque Guilherme IV da Baviera promulgou a chamada “Reinheitsgebot”, que tornava ilegal o uso pelos cervejeiros de qualquer outro cereal que não fosse cevada, pois a mesma era inadequada para fazer pão e desta forma ofertando o trigo aos padeiros. Essa lei foi popularmente conhecida como “Lei da Pureza Alemã de 1516”, a qual muitas cervejas se orgulham de estampar em seus rótulos até hoje, inclusive algumas brasileiras.

“Pausa na redação. Junior acabou chegar com o pão de cevada que sobrou do mosto de ontem”

Mas não pensem que todos os alemães se privaram deste de alimento líquido.

A lei de 1516 excetuava o próprio Duque Guilherme IV deste sacrifício, e permitiu que a Hofbrauhaus, nesta fase da história propriedade do Estado, produzissem cerveja de trigo somente para nobreza germânica.

No século XIX, a lei da pureza foi revogada, permitindo que todos os “mortais” pudessem beber novamente a Weissbier.

Curioso fato para nós brasileiros, que os alemães mais tradicionalistas preferem a cerveja de trigo suavemente aquecida para liberar mais aromas e sabores, fazendo isso através de pequenos baldes contendo água morna, o popular “banho maria”.

Porém os alemães souberam transformar essas restrições da lei numa vantagem competitiva, pois foram aprimorando o uso da cevada e melhorando os processos de fabricação.

De volta à Jaú, quero falar que fiquei muito orgulhoso da nossa primeira Weissbier, e confesso aos meus amigos cervejeiros, que desde o começo de nossa produção, minha intenção era fazer este estilo de cerveja.

A cerveja de trigo é primeiramente difícil de encontrar, e quando achamos não se paga menos de R$ 12,00 por 500ml. Não vou fazer contas, mas é imaginem converter esses valores para uma caixa de 24 garrafas de 660ml. O resultado assusta qualquer um.

Porém o valor da matéria prima para uma Wiessbier é muito parecido com os custos para fazer uma Pilsen. Considerando este estilo particular de cerveja é mais barato produzir mesmo que de forma artesanal, já que o resultado foi satisfatório para nós.