quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Qual é o caminho mais curto entre a Alemanha e a Inglaterra ?

Eu recomendaria beber uma autêntica Pale Ale Londrina após ter deliciado uma legítima Weissbier de Munich.

A paixão dos ingleses por cervejas do tipo Ale é tão presente, que o nome “ALE” se tornou sinônimo de cerveja, chegando a ponto de gerar um certo desencontro se você estiver um pub inglês e simplesmente pedir “beer” para algum britânico distraído.

Esse comportamento tipicamente inglês gerou um bom resultado. Pois esse fechamento em torno da sua preferência resultou numa excelência deste tipo de cerveja, a qual é perseguido pelo Estados Unidos.

A importância da Inglaterra para o mundo cervejeiro é a manutenção das tradições nos estilos English Pale Ale, English Brow Ale, Porter, Stoudt e India Pale Ale (IPA). Esta ultima podemos experimentar na versão brasileira através da Colorado Indica de Ribeirão Preto.

Enfim, como sempre, depois de divagar pelo velho mundo vamos voltar pra Jaú.

Aproveitamos a degustação de nossa primeira Pale Ale, para inaugurar nosso nome e rotulo.



Batizamos nossa cerveja artesanal como “Jahuer” e a partir do nome elaboramos nosso primeiro rótulo.

Já que decidimos “brincar” de fazer cerveja, então vamos até o final, buscando o melhor do produto inclusive sua apresentação.

A nossa Pale Ale, ficou encorpada além do tradicional estilo inglês, o que nos obrigou a rever as etapas de produção na tentativa de aproximar a cor e corpo da bebida aos da terra da Rainha.



E então terminou 2011, com motivos para comemorar.

Além de aprender um pouco de história experimentamos boas risadas dividindo bons momentos com os amigos.

Até a próxima. PROST !



domingo, 27 de novembro de 2011

Weissbier – A versão artesanal jauense da cerveja de trigo com o DNA da Baviera.

Este que vos tecla está muito feliz hoje. Finalmente nosso primeiro lote de Cerveja de Trigo ficou pronto.

O chamado “Pão líquido integral” em função as partículas dos cereais suspensas na garrafa, é um estilo de cerveja que entrou na moda no mundo todo por ser uma bebida refrescante e bem adaptada ao clima brasileiro. Fácil de beber, sempre recebe destaque quando aterrissa à mesa, com toda sua imponência.

A Weissbier tem o copo correto para ser servido. Ele é alto, boca larga e um estreitamento em direção à base, com capacidade de 500ml.


Em nossa primeira cerveja trigo,  conseguimos reproduzir todas as características desse estilo de cerveja.

Três quilos de cevada mais dois quilos de trigo formaram a base da nossa Weissbier.

Este estilo de cerveja é especialmente aromático e produz uma espuma convincente com elegante colarinho quando é servida.

Aliás, a espuma é parte importante da cerveja, já que os aromas são “carregados” pela evaporação do gás. 

Todos os tipos de cerveja devem conter uma espuma, algumas menos outras mais. 

Hoje com nossa Weissbier, vamos celebrar a espuma, os aromas e o paladar. Enfim uma experiência para todos os sentidos.

Creio que é um bom momento para definir a cerveja de trigo. Então vamos lá:

Na Baviera existem pelo menos 600 cervejarias que produzem pelo menos um dos estilos abaixo.

Hefe Weissbier = O estilo que produzimos hoje, como normalmente as cervejas de trigo são não-filtradas, algumas cervejarias simplesmente as chamam de Weissbier, sem a palavra Hefe (levedura) no início.


Weissbier Kristalklar, Kristalweisse = Cerveja de trigo filtrada, cristalina.

Dunkel Weissbier, Dunkelweisse = Cerveja escura de trigo.

Weizenbock, Weissbock = Cerveja forte de trigo, acima de 7% vol.

Berliner Weisse = Cerveja de trigo de Berlim, maior acidez.


De volta às origens.


A Weissbier é uma especialidade da Baviera, região ao Sul da Alemanha , que é a casa da Cervejaria mais tradicional da Europa a Hofbrauhaus, uma taberna cheia de vida e em certo momento da história era uma “empresa estatal” e produzia cerveja de trigo somente para os membros da realeza alemã.

Apesar de tão tradicional, a cerveja de trigo não é servida na grande Oktoberfest de Munique, por motivos que remontam mais de 500 anos de história.

Por volta de 1500, a cerveja de trigo era tão popular na Baviera que a disputa pela matéria prima – o trigo – passou a ser muito disputada entre cervejeiros e padeiros. O qual estes últimos, os padeiros, levaram a pior a precisaram da ajuda do Estado para que seus produtos continuassem a ser distribuídos à população.

Para resolver esta questão, em 1516 o Duque Guilherme IV da Baviera promulgou a chamada “Reinheitsgebot”, que tornava ilegal o uso pelos cervejeiros de qualquer outro cereal que não fosse cevada, pois a mesma era inadequada para fazer pão e desta forma ofertando o trigo aos padeiros. Essa lei foi popularmente conhecida como “Lei da Pureza Alemã de 1516”, a qual muitas cervejas se orgulham de estampar em seus rótulos até hoje, inclusive algumas brasileiras.

“Pausa na redação. Junior acabou chegar com o pão de cevada que sobrou do mosto de ontem”

Mas não pensem que todos os alemães se privaram deste de alimento líquido.

A lei de 1516 excetuava o próprio Duque Guilherme IV deste sacrifício, e permitiu que a Hofbrauhaus, nesta fase da história propriedade do Estado, produzissem cerveja de trigo somente para nobreza germânica.

No século XIX, a lei da pureza foi revogada, permitindo que todos os “mortais” pudessem beber novamente a Weissbier.

Curioso fato para nós brasileiros, que os alemães mais tradicionalistas preferem a cerveja de trigo suavemente aquecida para liberar mais aromas e sabores, fazendo isso através de pequenos baldes contendo água morna, o popular “banho maria”.

Porém os alemães souberam transformar essas restrições da lei numa vantagem competitiva, pois foram aprimorando o uso da cevada e melhorando os processos de fabricação.

De volta à Jaú, quero falar que fiquei muito orgulhoso da nossa primeira Weissbier, e confesso aos meus amigos cervejeiros, que desde o começo de nossa produção, minha intenção era fazer este estilo de cerveja.

A cerveja de trigo é primeiramente difícil de encontrar, e quando achamos não se paga menos de R$ 12,00 por 500ml. Não vou fazer contas, mas é imaginem converter esses valores para uma caixa de 24 garrafas de 660ml. O resultado assusta qualquer um.

Porém o valor da matéria prima para uma Wiessbier é muito parecido com os custos para fazer uma Pilsen. Considerando este estilo particular de cerveja é mais barato produzir mesmo que de forma artesanal, já que o resultado foi satisfatório para nós.



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Drinkability !

Esta palavra tenta abranger tudo que essa bebida pode representar ao universo dos sentidos das pessoas que se dedicam a experimentar uma cerveja produzida fora das gigantes produtoras em massa.

Drinkability é um termo subjetivo que determina se uma cerveja é “bebível”, e por isso mesmo não é considerada atributo de avaliação já que depende da percepção que cada um vive a cada gole.

Termo similar existe em francês. O chamado Terroir que resume todas as características que uma determinada região transfere ao seu vinho, o que o torna único no planeta.

Voltando à cerveja, depois de quase 30 dias, chegara o nosso momento de curtir nossa produção.

Desta vez, acompanhado pelo Cervejeiro Artesanal João Zugliani, que nos brindou com conhecimentos valiosos.
 
Luiz Claudio, André e João Zugliane, na preparação de uma remessa de Pale Ale – Uma verdadeira aula sobre produção de cerveja.

Ao abrir da primeira garrafa e ouvir a vontade do dióxido de carbono (CO2) sair da garrafa, nos animamos com o possível resultado.  Foi o anúncio de bons resultados à frente. O primeiro brinde aos ouvidos.

A análise começou pela aparência, ou abusando do trocadinho seria “beber com os olhos” ?

A espuma se apresentou com respeito, ocupando boa parte do copo e servindo de boas vindas, mostrando que até aquele momento, tudo estava conforme esperado.

Existe uma tabela de cores utilizada na indústria cervejeira para determinar a classificação da cerveja. A chamada Standard Reference Method (SRM), conforme figura abaixo.


Nossa bebida ficou com o SRM 6-9 (âmbar).Essa cor mais densa deve-se a problemas que experimentamos durante a filtragem a qual nos obrigou a atrapalhar a vida do mosto.


Após o primeiro gole, o silêncio e então a sensação do dever cumprido, mesmo que abençoados pela sorte dos principiantes.

O amargor estava bem presente e o teor alcoólico mais pronunciado do que desejávamos, por volta de 7% que deixou a bebida com paladar bem particular, porém bem interessante para quem aprecia cervejas especiais.

Ficamos bastante surpresos e animados com o nosso resultado. Mas que a verdade esteja presente. Hoje em dia é fácil qualquer pessoa produzir cerveja, desde que aconteça o mínimo de dedicação. 

Existe literatura à vontade em todos os meios e também facilidade de aquisição dos equipamentos e matérias-prima. 

Com este conjunto de elementos somados às boas amizades, vontade e disposição, não tem como dar errado.

Mais um detalhe importante, em tempos de sustentabilidade. O subproduto da produção de cerveja é a cevada moída e fervida, que pode ser utilizada para diversos fins. E como não entramos nessa por brincadeira, seguimos esse conceito a fundo.


O Sr. Luiz Claudio (ou esposa) produziu um pão de cevada com um sabor delicioso, o que também estimulou a buscar outras receitas para utilizar a cevada das próximas brassagens.

Posso falar com orgulho “Isso sim é sustentabilidade” !!

Temos um breve registro videocliptico no "Primeiro Gole" 






 As próximas  etapas: Cerveja de Trigo, Pale Ale e Ale defumada. PROST !

domingo, 30 de outubro de 2011

Engarrafado, mas não terminado !


Receita básica para a fabricação de cerveja é essencialmente simples: 

Inicialmente, a cevada maltada é moída e colocada em infusão; em seguida é coada, fervida com lúpulo e novamente coada. Acrescenta-se então a levedura e deixa-se fermentar. 

Esse chá fermentado fica repousando por um período de maturação, então a levedura é separada do líquido, estando pronto para ser consumido.

Sim, a cerveja teoricamente é simples, com matéria prima disponível e fácil de encontrar e a custo baixo.

Mas outro ingrediente muito importante é necessário para fazer a mágica de obter álcool, amargor e gás carbônico dos cereais, plantas e micro organismos.  A “mão de obra”.

Hoje uma atividade não tão nobre, mas necessária “O engarrafamento”.

A necessidade de armazenamento e consumo fora do ambiente de produção encontrou o problema da deterioração, pois a cerveja é sensível, então surgiu o engarrafamento. Os primeiros registros deste tipo de armazenamento datam de 1568 na Inglaterra, depois da invenção da produção em escala e das tampas de metal.

Mas antes do trabalho pesado, existe mais uma etapa na produção. Simples é bem verdade, porém fundamental para que a bebida se apresente com respeito nos copos que a receberá. A re-fermentação na garrafa.

O mosto maturado apresenta ainda um baixo nível de levedura, que podem ser estimulados, gerando mais álcool e gás e para isso acontecer é adicionado o priming.

O priming é basicamente água com açúcar, e servirá como alimento para a levedura que restou no mosto maturado. Essa re-fermentação na garrafa vai gerar o gás carbônico necessário para obtemos a espuma e a sensação de frisante ao entornar a bebida no copo.

O processo é mecânico e simples, adiciona-se entre 3 a 7g de priming por litro de cerveja. Pode ser feito no recipiente em  que está o mosto ou diretamente na garrafa.

Apesar de simples, deve ser feito com extremo cuidado, pois a quantidade exagerada de priming pode gerar verdadeiras “garrafas bomba”, em função da fermentação exagerada dentro da garrafa.

Não vou entrar em detalhes chatos de matemática agora, mas existem regras a seguir nesta etapa para evitar risco de explosões das garrafas.


Luiz Cláudio, adicionando o priming às garrafas após o envase feito pelo André.

 
Junior veda as garrafas com as tampas de metal.


 
Nosso primeiro lote de produção está “quase“ pronto. Agora mais dez dias de re-fermentação na garrafa e teremos de fato a bebida chamada Cerveja como conhecemos hoje. 

Algumas horas de estudo e muita mão de obra, somando ao tempo de quase trinta dias para a natureza fazer sua parte e logo poderemos experimentar o resultado de nosso trabalho.

Temos também a nossa receita, afinal de contas tentaremos padronizar nosso processo de produção. 


 
Apesar de ser pequena e simplificada, nos dedicamos a fazer bem feito, considerando os processos a matéria-prima e as boas práticas de sanitização.

O próximo post, “O grande dia”. PROST !