domingo, 30 de outubro de 2011

Engarrafado, mas não terminado !


Receita básica para a fabricação de cerveja é essencialmente simples: 

Inicialmente, a cevada maltada é moída e colocada em infusão; em seguida é coada, fervida com lúpulo e novamente coada. Acrescenta-se então a levedura e deixa-se fermentar. 

Esse chá fermentado fica repousando por um período de maturação, então a levedura é separada do líquido, estando pronto para ser consumido.

Sim, a cerveja teoricamente é simples, com matéria prima disponível e fácil de encontrar e a custo baixo.

Mas outro ingrediente muito importante é necessário para fazer a mágica de obter álcool, amargor e gás carbônico dos cereais, plantas e micro organismos.  A “mão de obra”.

Hoje uma atividade não tão nobre, mas necessária “O engarrafamento”.

A necessidade de armazenamento e consumo fora do ambiente de produção encontrou o problema da deterioração, pois a cerveja é sensível, então surgiu o engarrafamento. Os primeiros registros deste tipo de armazenamento datam de 1568 na Inglaterra, depois da invenção da produção em escala e das tampas de metal.

Mas antes do trabalho pesado, existe mais uma etapa na produção. Simples é bem verdade, porém fundamental para que a bebida se apresente com respeito nos copos que a receberá. A re-fermentação na garrafa.

O mosto maturado apresenta ainda um baixo nível de levedura, que podem ser estimulados, gerando mais álcool e gás e para isso acontecer é adicionado o priming.

O priming é basicamente água com açúcar, e servirá como alimento para a levedura que restou no mosto maturado. Essa re-fermentação na garrafa vai gerar o gás carbônico necessário para obtemos a espuma e a sensação de frisante ao entornar a bebida no copo.

O processo é mecânico e simples, adiciona-se entre 3 a 7g de priming por litro de cerveja. Pode ser feito no recipiente em  que está o mosto ou diretamente na garrafa.

Apesar de simples, deve ser feito com extremo cuidado, pois a quantidade exagerada de priming pode gerar verdadeiras “garrafas bomba”, em função da fermentação exagerada dentro da garrafa.

Não vou entrar em detalhes chatos de matemática agora, mas existem regras a seguir nesta etapa para evitar risco de explosões das garrafas.


Luiz Cláudio, adicionando o priming às garrafas após o envase feito pelo André.

 
Junior veda as garrafas com as tampas de metal.


 
Nosso primeiro lote de produção está “quase“ pronto. Agora mais dez dias de re-fermentação na garrafa e teremos de fato a bebida chamada Cerveja como conhecemos hoje. 

Algumas horas de estudo e muita mão de obra, somando ao tempo de quase trinta dias para a natureza fazer sua parte e logo poderemos experimentar o resultado de nosso trabalho.

Temos também a nossa receita, afinal de contas tentaremos padronizar nosso processo de produção. 


 
Apesar de ser pequena e simplificada, nos dedicamos a fazer bem feito, considerando os processos a matéria-prima e as boas práticas de sanitização.

O próximo post, “O grande dia”. PROST !

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