Num ambiente onde houver pessoas conversando, rindo e se divertindo, é muito provável que haja uma cerveja para acompanhar.
Mas por que a cerveja é sempre tão presente ?
É certo que não é apenas por ser barata, pouco alcoólica e facíl de encontrar.
A cerveja é assim, por que é tradição e remonta a história da humanidade, além de poder ser consumida sem nenhuma pompa, em qualquer lugar do mundo independente da estação do ano. Essa bebida é também conhecida mundialmente como “Lubrificante Social”. Interessante apelido se reflertimos com calma.
Os primeiros registros de uma bebida similar ao conhecemos hoje como cerveja foram encontradas nas tumbas dos faraós do Egito. Mas seu caminho de notoriedade aconteceu na Europa, onde estão até hoje os centros de excelência de produção.
A cervejaria mais antiga em funcionamento até hoje está na Alemanha, no mosteiro de Weihentesphan, a qual atribui sua fundação no ano de 1040.
Falando em mosteiros, a relação entre cerveja e a Igreja, está mais próxima que muitos de nós podemos imaginar, pois há provas de produção de cerveja século VI em mosteiros da Europa.
É fácil imaginar como isso aconteceu, visto que somente os membros da Igreja conheciam a escrita, e por isso conseguiram padronizar receitas e perpetuar o conhecimento. Além é claro de obterem a matéria prima com facilidade e não pagar impostos sobre a produção. Afinal de contas naquela época a cerveja era conhecida como alimento, chamada então de “pão líquido”.
Alias , existe o padroeiro da cerveja, Santo Arnaldo (1040-1087). Patrono dos colhedores de lúpulo. Foi adotado por camponeses da região na qual ele pregava, Bradant na Bélgica, maior produtora de lúpulo naquela época. A ele é creditado o milagre, enquanto servia ao exército belga, de ter conseguido cerveja para as tropas, ao rezar e apelar a Deus. Ficou famoso por curar doentes de uma praga, fazendo-os beber cerveja de um tanque no qual havia mergulhado seu crucifixo. Agora o mais interessante, a data de celebração deste santo é 15 de Agosto, data do aniversário de Jaú.
Partindo de tão interessante assunto, alguns amigos motivados pelo desafio de aprender sempre, se reuniram para tentar produzir variados tipos de cerveja e aprimorar técnicas com o objetivo de produzir variedades nem sempre encontradas nos supermercados.
É sabido que conseguimos encontrar marcas expressivas em estabelecimentos específicos, porém o desafio e o desejo motivador de empreender novidades foi o mais forte.
E foi assim, que este grupo foi formado, citados na ordem cronológica de “convocação”.
Luiz Claudio, após viagem pela Alemanha descobriu o quão profunda e rica é a história desta bebida e também pela experiência na própria família, percebeu que estaria possível ter sua produção caseira. Então em contato com Ezequiel (este que vos tecla) também observador curioso da cultura germânica, instigou essa possibilidade.
O convite foi repassado ao André que já havia visitado fábricas de cerveja e também conhecedor de variedades especiais.
Por fim, o Junior, pessoa com facilidade extrema em montagem/desmontagem em diversos tipos de equipamentos. O tipo de pessoa que prefere fazer uma máquina em casa, ao invés de fazer uma pesquisa de Google e fazer um pedido.
Enfim, o grupo estava montado, os equipamentos foram adquiridos, o Júnior fez alguns outros e a produção deu sua partida.
Finalmente vamos ao que interessa. Nossa primeira produção foi a tipo Pilsen, justamente por que nosso paladar está mais adaptado e facilitaria nosso julgamento sobre a qualidade do que produzimos.
Antes de entrar em detalhes sobre nossa produção, algumas considerações.
A Cerveja (agora com “C” maiúsculo) é uma bebida simples, obtida através do malte de cereal, água e lúpulo, seguindo a lei de pureza alemã de 1516, que rejeitava o titulo de cerveja para qualquer outra bebida que apresentasse em sua formula com outros ingrediente diferente destes.
A combinação destes ingredientes e o correto processo de produção faz com que o amido seja extraído do cereal , para sua conversão em açucares que por sua vez serão transformados em álcool. O lúpulo deixa sua nota de amargor e aroma, conforme a maioria de nós conhece muito bem.
Muitos outros temperos e especiarias podem ser adicionados à bebida, como coentro, pimenta, chocolate, baunilha entre muitos outros, porém vamos fidelizar com o tratado de 1516 nesta singela produção.
Falando em Pilsen, variedade mais consumida no Brasil, vale lembrar que esse é o nome de uma cidade da República Tcheca , que fica no vale da Bohemia.
Esta cidade ficou famosa por abrigar umas das primeiras companhias em grande escala de cerveja do mundo no século XIX.
Chega de história, vamos produzir.
Luiz Claudio, moendo o malte de cereal. Mais tarde o Junior improvisou com uma furadeira adaptada ao moinho doméstico, moendo 5kg de malte alguns minutos.
André cuidando da temperatura da água para receber o malter moído.
Com a temperuratura certa da água (65c), Ezequiel adiciona o malte moído à água.
Junior, André e Luiz Cláudio, vigiam a temperatura do cozimento do malte de cereal, dando origem ao mosto.
Mais água (agora a 78c) é filtrada pelo malte.
A espuma de proteína do malte é retirada , preparando o mosto para a adição lúpulo de amargor.
Fervendo o mosto agora com o lúpulo. Temperatura sempre controlada.
O mosto já filtrado, pronto para o processo de fermentação. Onde os acúrares serão transformados em álcool.
Equipe reunida orgulhosa do trabalho. Inicia-se a fermentação por sete dias, maturação por mais sete e engarrafamento.
Este post não teve intenção de detalhar o processo de produção de cerveja, pois isso será alvo em outra oportunidade. Agora somente descrevemos o primeiro passo de mais um desafio.
Até a próxima PROST !
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